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Qual sua perspectiva para as cotações da soja na safra 2013/2014?




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Pragas e Doenças

 

A soja é uma cultura que tem sido atacada por várias pragas, que pode ocorrer durante todo o seu ciclo. Mais de 300 espécies de insetos já foram relatados alimentando-se nas lavouras ou nos grãos armazenados.

Porém, as principais pragas da soja são menos de dez, as demais são consideradas de valor secundário para a cultura. As condições ambientais, a época do ano e a presença de inimigos naturais são fatores determinantes para a ocorrência de uma espécie em maior população que outra.

O controle de pragas da cultura visa evitar o incremento da população e que se alcance o chamado nível de dano econômico, que é o ponto em que o ataque da praga começa a causar prejuízos econômicos ao produtor. O controle deve ser feito utilizando-se os princípios de Manejo Integrado de Pragas (MIP).

O MIP é a união de métodos de controle, visando que a população de uma praga não atinja um índice de dano, que irá trazer um prejuízo econômico maior do que sua medida de controle. Métodos de controle legislativos, culturais, biológicos e químicos devem ser usados de forma conjunta, em que o agricultor deve tentar conduzir sua lavoura dentro de parâmetros ambientais aceitáveis, com um resultado financeiro positivo.

O uso de qualquer uma das técnicas de manejo integrado deve ser indicado somente por um agrônomo devidamente credenciado e após o correto diagnóstico da praga que acomete a cultura, uma vez que sem essa correta diagnose, a medida de manejo adotada pode ser ineficiente e causar maiores prejuízos ao produtor. Vale salientar que no caso do uso de produtos de origem química ou biológica, estes devem estar devidamente registrados, para a tilização na cultura, no Ministério da Agricultura, Agropecuária e Abastecimento.

Pragas

Anticarsia gemmatalis, Lagarta-da-soja.  Dentre os insetos que atacam a folha da soja este é o mais comum. A lagarta possui coloração verde, com três listras brancas dispostas longitudinalmente no dorso, com quatro falsas pernas. Em condições de altas infestações ou escassez de alimento torna-se escura. Sua ocorrência é maior entre novembro e março, e seu pico populacional dá-se em janeiro e fevereiro, conforme a região.

O seu ciclo biológico total é de 33 a 34 dias e podem ocorrer quatro a seis gerações anuais. O adulto faz sua postura à tardinha e à noite na parte inferior das folhas e tem coloração verde-clara.

A desfolha causada pela lagarta-da-soja pode chegar a 100% se não controlada a tempo. 



Lagarta-da-soja em condições normais de alimentação, com sua coloração típica (A). Lagarta da soja em condições de estresse, no caso alta população, com coloração escura (B).


Pseudoplusia includens, Lagarta-mede-palmo. De coloração verde-clara, com listras brancas no dorso, apresenta pontos escuros no corpo, com dois pares de falsas pernas. Desloca-se pelas folhas como se estivesse “medindo palmo”, daí a sua denominação. Alimenta-se de folhas, mas não das nervuras, conferindo-lhes aspecto rendilhado.

Os danos causados por ela são inferiores aos da lagarta-da-soja, mas uma vez que as duas ocorrem na mesma época, essa praga é considerada praga principal. Sua ocorrência predomina no Paraná e em São Paulo, com picos populacionais maiores de dezembro a fevereiro. 



Movimento típico de caminhamento de P. includens, que lhe confere o nome popular de mede-palmo (A). Aspecto rendilhado da folha devido ao fato da lagarta alimentar-se apenas do limbo e não das nervuras (B).


Epinotia aporema, Broca-das-axilas. Até pouco tempo, era considerada praga secundária da soja. Fatores atribuídos à expansão da área de plantio e a introdução de novos cultivares levou ao aumento da sua incidência.

As lagartas são pequenas, de coloração verde-esbranquiçada, e, à proporção que crescem, tornam-se amareladas, com o corpo transparente.

A lagarta penetra pelo caule através das axilas dos brotos terminais na base do pecíolo, antes que estes se desenvolvam totalmente. Alimentam-se da parte interna dos folíolos e dos caules. Isso leva à morte ou deformação dos órgãos atacados. 



Epinotia aporema na fase inicial da larva, mostra coloração verde bem clara, quase transparente (A). Broca-das-axilas no estágio larval mais avançado com coloração já amarelada (B).


Nezara viridula, Percevejo-verde. É um inseto da ordem hemíptera, possui outras denominações populares como maria-fedida e fede-fede. Ataca outras culturas além da soja.

O adulto tem cerca de 15 mm e é verde. Os ovos, de coloração amarela, são postos na face interior das folhas, dispostos na forma de colméia. Os jovens, também chamados de ninfas, têm inicialmente coloração escura com pontuações brancas e, mais tarde, tornam-se verdes com pontuações amarelas e vermelhas.

Sugam a seiva dos ramos e das vagens das plantas. Nesse processo, injetam toxinas na planta que lhe causam distúrbios fisiológicos, chamados retenção foliar ou soja louca.Com isso as folhas não caem, afetando assim a colheita, além de as vagens ficarem chochas. 



Adulto de maria-fedida, notam-se pontuações de cor clara no dorso do inseto que também podem ser avermelhadas (A). Postura de ovos de N. viridula, nota-se a forma hexagonal com que os ovos são dispostos, como se fossem uma colméia (B). 


Piezodorus guildinii, Percevejo-pequeno. É também conhecido como percevejo-verde-pequeno e provoca danos semelhantes aos do percevejo-verde.

O adulto, de aproximadamente 10 mm, tem coloração verde amarelada, com uma faixa marrom na parte dorsal do tórax. Os ovos de coloração escura são postos em filas duplas, de preferência nas vagens, em torno de 10 a 20 por postura. 

As ninfas no início apresentam coloração verde com manchas vermelhas e pretas no dorso. Os danos são similares aos causados pelo percevejo-verde.



Adulto de P. guildinii, nota-se a faixa marrom na parte dorsal do tórax próximo à cabeça (A). Ninfas em dois estágios diferentes do ciclo de vida (B). 


Euschistus heros, Percevejo-marrom. Seus danos à cultura são semelhantes aos dos outros percevejos já descritos.

O adulto tem coloração marrom-escura, formato quase triangular com prolongamentos laterais do pronoto, na parte superior do corpo, semelhantes a espinhos. Apresentam uma meia-lua branca no fim do escutelo.

Os ovos são postos sobre folhas e vagens, em forma de massas amareladas de ovos com cinco a oito. As ninfas são de coloração clara logo após a eclosão e, mais tarde, bem maiores, com o abdômen de coloração verde-clara, com duas manchas escuras no dorso.

Ainda podemos dizer que esse percevejo tem importância maior em regiões de temperaturas elevadas e nos estados de latitudes mais baixas.



Adulto de E. heros detalhe do prolongamento do pronoto, na forma de espinho.


Doenças

As doenças são um dos principais fatores que limitam a produção da soja. Há cerca de 40 doenças que afetam a cultura, da mais diversificada etiologia. Recentemente, a ferrugem-asiática tem sido destaque pelos prejuízos causados, mas a importância econômica de cada doença depende da época do ano, da região e do cultivar de soja plantado.

Existem doenças que podem causar perdas de até 100%, ou seja, quando todos os órgãos da planta atacados por algum tipo de patógeno.

Apesar do controle químico ser a medida de controle mais utilizada, essa não deve ser a única estratégia de manejo. Deve-se sempre buscar cultivares resistentes, tratos culturais que visam reduzir a população do patógeno, barreiras fitossanitárias que impeçam a introdução de uma nova doença em áreas onde essas não ocorram.

As principais doenças da cultura da soja são listadas a seguir.

Cowpea mild mottle virus (CpMMV), Necrose da haste da soja. O CpMMV foi identificado pela primeira vez no Brasil em 1980. Porém, em 2001, é que houve os primeiros relatos desse vírus causando danos severosà soja. Inicialmente, ocorria somente no Estado de Goiás; hoje, já há relatos em Mato Grosso, Bahia, Maranhão e Paraná. É uma doença muito importante, pois, dependendo de sua intensidade no plantio, pode haver perda de todo ele.

A doença caracteriza-se pelo aparecimento, no período de floração, de queima de brotos e haste com escurecimento, evoluindo para a morte da planta. As plantas que por ventura não morrerem podem apresentar subdesenvolvimento, folhas deformadas e mosaico. Também observa-se formação de bolhas na superfície da folha. Quando a planta consegue chegar ao fim do ciclo e produzir vagens, essas e as sementes são deformadas.

O vírus é transmitido para a soja por meio do inseto-vetor, mosca-branca. Assim, o controle do inseto poderia ser uma forma eficiente de controlar a doença, se não fosse a forma como ocorre a transmissão. A mosca-branca transmite o vírus durante a sua picada de prova, que é um processo realizado por esse inseto, de forma rápida, para reconhecimento da planta como hospedeiro. Muitas vezes, quando é aplicado um inseticida, o inseto antes de morrer realiza um número de picadas de prova muito maior que o normal, aumentando, portanto, o número de plantas por ele parasitado e, conseqüentemente, o número de plantas para as quais o vírus é transmitido. O uso de cultivar resistente é a melhor medida de controle da doença.


Cercospora sojina, Mancha olho-de-rã . Foi a primeira doença a causar perdas severas na soja, prncipalmente na década de 1990; porém, hoje existem cultivares resistentes. Atualmente, observam-se cultivares suscetíveis, que ocorrem em dadas regiões, sobretudo na Região Sul com os cultivares transgênicos.

O fungo ataca folhas, hastes, vagens e sementes. Inicialmente, as lesões têm aspecto de pequenas pontuações ou manchas encharcadas. Posteriormente, escurecem, ficando com o centro de coloração marrom e os bordos avermelhados no lado superior da folha, no lado inferior possui coloração cinza, podendo haver perda da parte central da lesão. Na haste, a lesão possui forma elíptica de coloração, que vai do cinza ao castanho claro e com bordos avermelhados. Nas vagens, as manchas são circulares e castanho-escuras.

Sementes contaminadas são a principal forma de disseminação da doença. O fungo pode ainda sobreviver em restos culturais, e, assim, por meio de respingos de chuva ser disseminados para outras plantas da lavoura.

O uso de cultivares resistentes tem sido o mais recomendado, pela maior facilidade e custo econômico; porém, devido à alta variabilidade do fungo, é recomendável a rotação com outros cultivares que possuam fontes de resistência distintas uma das outras. O uso de fungicidas para o tratamento de sementes também é uma medida eficiente, evitando assim o aumento da população inicial do fungo na lavoura. 



Mancha olho-de-rã, lesão que teve o centro perdido (A). Lesão típica de C. sojina (B).


Erysiphe diffusa, Oídio. Essa doença já ocorria há muitos anos no país sem causar perdas significativas; porém, na safra de 1996/1997 começou a trazer sérios transtornos para os produtores de soja.

O fungo ataca a parte aérea da planta. O sintoma característico é a presença de uma massa branca, de aspecto cotonoso, que são as estruturas do fungo. Posteriormente, essas regiões tornam-se acinzentadas até que evoluam para lesão necrótica, podendo haver desfolha.

O uso de variedades resistentes é a medida mais eficiente de controle. O emprego do controle químico também traz resultados satisfatórios. 



Folha com sintoma de oídio, massa de estruturas fúngicas com aspecto cotonoso.


Phakopsora pachyrhizi, Ferrugem asiática da soja. Hoje é uma das doenças que mais têm preocupado os produtores de soja, pois o seu principal dano é a desfolha precoce, impedindo a completa formação dos grãos, com conseqüente redução da produtividade. O nível de dano que a doença pode ocasionar depende do momento em que ela incide na cultura, das condições climáticas favoráveis à sua multiplicação. Os danos podem chegar a cerca de 70%.

A doença foi diagnosticada pela primeira vez no Brasil em 2001. Devido à facilidade de disseminação do fungo pelo vento, a doença ocorre em praticamente todas as regiões produtoras de soja do país.

A doença apresenta-se inicialmente por pequenas pontuações de coloração mais escuras que o tecido foliar superior. Na parte inferior da folha, observam-se pequenas verrugas, chamadas de urédias, que é o local onde o fungo produz os seus esporos (uredósporos). Posteriormente, a coloração dessas urédias passa de castanho-claro para castanho-escuro e o tecido foliar nessa região vai ficando castanho-claro.

A obtenção de cultivares resistentes para a ferrugem da soja é um processo muito difícil, devido à alta variabilidade do fungo. Existem inúmeras raças de P. pachyrhizi, estudos realizados no Japão identificaram 18 raças do patógeno, para as condições daquele país. Assim um cultivar descrito como resistente pode ter essa resistência quebrada facilmente.

O controle químico tem-se mostrado a medida mais eficiente de controle da doença. No auxílio dessa prática de controle devem-se evitar o plantio em épocas favoráveis a doença, o uso de cultivares precoces, para que o fungo não ataque plantas muito jovens, aumentando assim a severidade, e fazendo o diagnóstico mais precoce possível da ocorrência da doença na lavoura. O controle de plantas invasoras também é importante, pois P. pachyrhizi, além da soja, parasita outras espécies de plantas inclusive daninhas. 



Urédia contendo uredósporos, na parte inferior de folha de soja (A). Aspecto de um campo de soja sob ataque severo de P. pachyrhizi (B). 


Diaporthe phaseolorum f. sp. meridionalis, Cancro-da-haste. A doença foi diagnosticada pela primeira vez no país em 1989, no Paraná, sendo encontrada hoje em todo o país.

A doença, inicialmente, caracteriza-se por pontuações negras que evoluem para manchas elípticas de coloração castanho-avermelhada. No estágio final, exibem grandes lesões com o centro claro nas hastes.

O ataque do patógeno pode levar as plantas a se partirem e, ou, ao acamamento. Se o ataque for muito severo, a lavoura pode ser dizimada em poucos dias.

Sintomas reflexos são observados nas folhas com o surgimento de déficit nutricional, diagnosticado pelo amarelecimento das folhas, necroses entre as nervuras, devido à interrupção da translocação de água pela destruição do feixe vascular.

A medida mais eficiente de controle é o uso de cultivares resistentes. Devem-se também eliminar plantas invasoras, por serem muitas dessas hospedeiras secundárias do patógeno. 



Planta de soja com sintoma de cancro-da-haste.


Colletotrichum dematium var. truncata, Antracnose. É a principal doença no início da formação da vagem, levando à redução significativa dessas. Altas temperaturas e a elevada precipitação favorecem o desenvolvimento do patógeno. Portanto, é muito comum no cerrado.

A doença pode causar morte de plântulas e necroses nos tecidos aéreos. Nas folhas, observa-se escurecimento de nervuras. Nas vagens, além de produzir lesões deprimidas, provoca a sua abertura precoce, o que atrapalha a sua formação e a de sementes, causando a queda destes. A semeadura de sementes contaminadas pode originar plantas que, após a emergência, terão sintoma de tombamento. Além das vagens, o C. dematium var. truncata infeta a haste e outras partes da planta, causando manchas castanho-escuras. É também possível que seja uma das principais causadoras da necrose-da-base-do-pecíolo, que tem sido responsável por severas perdas no cerrado. 



Vagens de soja com sintomas de antracnose (A). Plântulas de soja atacadas por C. dematium var. truncata (B). 


Heterodera glycines, Nanismo amarelo da soja. É o nematóide do cisto da soja. Foi diagnosticado pela primeira vez no Brasil na safra de 1991/1992, e, de lá para cá, vem causando muitos prejuízos na cultura da soja. Quase todos os países produtores de soja têm em seus campos H. glycines. É um nematóide que se dissemina muito fácil, pois seus cistos são leves e facilmente levados pelo vento junto a máquinas e implementos agrícolas e associados a sementes. Devido a essa facilidade de disseminação, no Brasil a cada safra vem aumentando o número de áreas infestadas pelo patógeno.

O nanismo-amarelo-da soja caracteriza-se por plantas com crescimento reduzido, conhecido como nanismo, as folhas amarelas, devido aos distúrbios causados pelo nematóide no sistema radicular, que prejudica a translocação de água para a parte aérea da planta, e, inicialmente, as plantas com esses sintomas aparecem em reboleiras.

O sistema radicular apresenta pequenas bolinhas esbranquiçadas ou amarronzadas, em forma de limão, que são as fêmeas do nematóide. Geralmente, tem a nodulação reduzida. É possível observar, no solo, pequenas bolinhas marrom-escuras, que são os cistos. Os cistos são o corpo da fêmea que morreu e, em seu interior, estão os ovos do nematóide.É interessante observar que dentro dos cistos os ovos podem permanecer viáveis por até 11 anos.

O controle deve ser realizado por meio de um conjunto de medidas. Inicialmente, deve-se evitar a sua introdução em áreas onde ainda não ocorra. Devido à facilidade com que é disseminado pelo maquinário agrícola, deve-se evitar o trânsito desses de áreas infestadas para áreas ainda sem o nematóide. Recomenda-se usar os equipamentos primeiro nas áreas limpas e proceder à sua limpeza após a utilização.

Em áreas de ocorrência de H. glycines, recomendam-se cultivares resistentes e rotação de culturas com plantas não hospedeiras, pois esta última técnica é importante devido à grande variedade de nematóides, além de quebrar a sua resistência.

Pelo fato de os cistos poderem estar associados a sementes, devem-se utilizar sementes livres do patógeno. 



Reboleiras de plantas causadas por H. glycines (A). Cistos do nematóide, em seu interior estão contidos os ovos (B). Fragmento de raiz com fêmeas (C).


Fontes

H. KIMATI, L. AMORIM, J.A.M. REZENDE, A. BERGAMIM FILHO, L.E.A. CAMARGO. Manual de Fitopatologia Volume 2 - Doenças das Plantas Cultivadas. 4ª ed. Ed. Ceres, Piracicaba. 663p. 2005.

T. J. de Paula Júnior & M. Venzon: 101 Culturas - Manual de Tecnologias Agrícolas. EPAMIG, Belo Horizonte. 800p. 2007.

L. Zambolim. Ferrugm Asiática da Soja. Ed. UFV, Viçosa. 140p. 2006. 

http://www.cnpso.embrapa.br

 
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